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sexta-feira, 24 de abril de 2015

A HISTÓRIA DO SERMÃO "PECADORES NAS MÃOS DE UM DEUS IRADO"

Por George Marsden


 Ministério Fiel



No outono 1740, a visita de George Whitefield a Jonathan Edwards trouxe consigo uma onda de entusiasmo com respeito à fé. Um novo avivamento irrompeu. Muitos clérigos da Nova Inglaterra começaram a ser itinerantes e a cruzar os interiores da região, pregando o avivamento. Pastores estabelecidos também achavam que provavelmente despertariam mais fervor espiritual se eles mesmos se aventurassem fora de suas paróquias. Ninguém tinha visto um avivamento desta dimensão antes. Até em Boston, ministros favoráveis ao avivamento registraram interesses espirituais sem precedentes e uma aparente transformação da cidade. Este grande avivamento também cresceu dramaticamente em intensidade. Em resposta à pregação de avivamento, pessoas choravam frequentemente pelo estado de sua alma, desfaleciam e eram até tomadas de êxtases.
Edwards aproveitou o momento de uma maneira que tem sido lembrada por muito tempo. Seguindo as novas tendências do avivamento, ele alterou seus sermões para criar uma intensidade dramática e começou a pregar mais fora de sua paróquia. Essa combinação levou ao mais famoso – ou infame – incidente de sua vida: a pregação de “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, em Enfield (Connecticut).
O ambiente era uma vila próxima da fronteira de Massachusetts e Connecticut, em meados de julho de 1741. A cidade vizinha, Suffield, estivera experimentando um avivamento admirável por algum tempo. No domingo, três dias antes do seu sermão em Enfield, Edwards, como um ministro convidado, presidira um culto de Ceia do Senhor em que um número admirável de 97 pessoas foram recebidas como membros comungantes. O avivamento em Suffield havia produzido intensas erupções de êxtases. Na segunda-feira, depois do culto de comunhão, Edwards pregou numa “reunião privada” para uma multidão aglomerada em dois grandes cômodos de uma casa. Um visitante que chegara depois do sermão disse que a uma distância de 400 metros de podia se ouvir berros, gritos e lamentos, “como de mulheres em dores de parto”, quando as pessoas agonizavam pelo estado de sua alma. Alguns desmaiaram ou entraram em transe; outros foram tomados de extraordinário chacoalho no corpo. Edwards e outros oraram com muitos dos consternados e levaram alguns a “diferentes graus de paz e alegria, alguns a enlevo, tudo exaltando o Senhor Jesus Cristo”, e exortaram outros a se achegarem ao Redentor.
Dois dias depois, Edwards se uniu a um grupo de pastores visitantes que estava tentando propagar o avivamento até Enfield, e lhe pediram, tendo em mente, sem dúvida, o seu sucesso em Enfield, que pregasse um sermão. Edwards não era como Whitefield, que poderia cativar uma congregação por meio de eloquência dramática e espontânea. Sua voz era fraca, e pregava com base num manuscrito que ele havia quase memorizado. Usava poucos gestos e fazia pouco contato de olhos. Dizia-se que ele parecia estar fitando a corda do sino no fundo da igreja. Apesar disso, seus sermões eram uma combinação de lógica muito clara e intensidade espiritual que poderia, às vezes, encantar seus ouvintes. No caso de “Pecadores”, diferentemente de muitos dos seus sermões, ele acrescentou muitas ilustrações vívidas. A combinação se revelou poderosa.
“Pecadores” é citado habitualmente como um exemplo da severidade da pregação de fogo do inferno na América primitiva. Entretanto, vê-lo apenas como isso é perder de vista maior parte da verdade. Os pregadores desta época pregavam com regularidade sobre o inferno porque acreditavam que ele era uma realidade terrível sobre a qual as pessoas precisavam ser alertadas. Eles consideravam a doutrina da punição eterna como misteriosa e aterrorizante, mas o próprio Jesus se referira a ela, e a maioria dos cristãos, em todas as eras, o entendera no sentido real. Alertar os paroquianos quanto ao perigo real era uma coisa amável a ser feita, e, quanto mais um ministro pudesse ajudá-los a sentir verdadeiramente seu perigo, tanto mais eficaz era a advertência. Até pregadores de um tipo liberal usavam a doutrina das recompensas e punições eternas para ajudar a controlar as pessoas moralmente. Para os cristãos orientados por conversões, mais do que moralidade estava em jogo. Evangélicos como Edwards falavam de “avivamentos” porque as pessoas que eram cegadas pelos prazeres de seus pecados necessitavam ser vivificadas para ver seu imenso perigo e o remédio de Deus em Cristo.
No famoso sermão de avivamento de Edwards, ele admitiu o fogo do inferno como algo real e colocou a ênfase na solene tensão entre o julgamento de Deus e a misericórdia de Deus. Edwards apresentou Deus como o juiz perfeitamente justo que estava corretamente indignado em face da rebelião dos seres humanos contra seu amor. Ao mesmo tempo, Deus havia se restringido misericordiosamente, por um tempo, na execução de seus juízos, para dar aos pecadores uma oportunidade de receberem o amor redentor de Cristo e serem salvos da condenação horrível, justa e certa.
Edwards formulou as imagens impressionantes do sermão ao redor da ira de Deus iminente e retida por muito tempo. “As negras nuvens da ira de Deus [estão] pairando sobre a nossa cabeça, cheias de tempestade horrível e grandes trovões.” Ou “como grandes águas que são represadas no presente; elas aumentam cada vez mais e sobem cada vez mais”. Outra vez, “o arco da ira de Deus está armado, e a flecha está pronta na corda, e a justiça dispara a flecha em seu coração e desarma o arco”. Assim, Edwards acumulava imagem sobre imagem. Além disso, ele insistia em que não era a ira ou a justiça que estava errada, mas a pecaminosidade essencial de cada pessoas que tornava justo o julgamento. “A sua impiedade o torna tão pesado quanto o chumbo e o faz tender para baixo, com grande peso e pressão, rumo ao inferno”. “Homens não convertidos andam sobre o abismo do inferno, em uma cobertura podre”, e podem cair a qualquer momento. Ou na passagem mais famosa: “O Deus que o segura sobre o abismo do inferno, muito mais do que alguém segura uma aranha ou algum outro inseto abominável sobre um fogo... não é nada, senão a mão de Deus que o segura para não cair no fogo cada momento; e o fato de que você não foi para o inferno na noite passada tem de ser atribuído a nada mais”, ou “visto que você se levantou nesta manhã”, ou “visto que você está sentado aqui na casa de Deus”. “Ó pecador!”, ele apelou. “Considere o terrível perigo em que você está... você está pendurado em um fio muito tênue, e as chamas da ira divina ao redor dele, prontas a cada momento a queimá-lo, e queimá-lo totalmente; e nada você tem... em que segurar para salvar a si mesmo... nada que possa fazer para levar a Deus a poupá-lo por mais um momento.”
Edwards nunca terminou o sermão em Enfield. O tumulto se tornou muito grande quando a audiência foi tomada por gritos, lamentos e clamores: “O que farei para ser salvo? Oh! estou indo para o inferno! Oh! o que farei por Cristo?” Um dos ministros registrou que “os gritos agudos e clamores eram comoventes e admiráveis”. Várias “pessoas foram esperançosamente mudadas naquela noite. Oh! que prazer e alegria havia em seus semblantes!”
O sermão e seus efeitos foram ainda mais assustadores porque a cacofonia no recinto impediu Edwards de chegar à parte que abordava a misericórdia de Deus: “E agora vocês têm uma oportunidade extraordinária, um dia em que Cristo abriu amplamente a porta de misericórdia e está à porta chamando e clamando, com voz alta, a pobres pecadores”. Estes eram temas que Edwards pregava frequentemente em seus outros sermões. Neste dia específico, ele planejara lembrar os ouvintes de tão grande provisão, de como muitos outros tinham ouvido o chamado de Cristo com amor e alegria e de “quão terrível é ser deixado para trás num dia como esse!” Ironicamente, seus ouvintes o impediram de chegar às boas novas que lhes viera comunicar.
Edwards podia, literalmente, amedrontar uma audiência, mas também possuía um lado muito mais gentil. Temos um vislumbre dessa qualidade de cuidado pastoral em uma carta de conselho que Edwards escreveu naquele mesmo verão. Deborah Hathaway, uma jovem de 18 anos convertida no avivamento de Suffield, se voltara a Edwards em busca de conselho. Por isso, ele ofereceu uma lista de orientações para jovens cristãos. Em um tempo, esta carta ficou talvez mais amplamente conhecida do que “Pecadores”, visto que nos anos anteriores à Guerra Civil Americana ela foi impressa em grandes números como um folheto intitulado “Conselho a Jovens Convertidos”. Na carta, Edwards salientava a importância de humildade e de não ser desanimado. O tom de Edwards na carta oferece um impressionante contraste com “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado”. O Deus trino é não apenas o espantosamente justo juiz, mas também o Cristo amável, cujas mãos são gentis. “Em todo o seu proceder”, Edwards instou, “ande com Deus e siga a Cristo como uma criança pequena, frágil e dependente, agarrando a mão de Cristo, mantendo os olhos nas marcas das feridas no lado e nas mãos dele, de onde vem o sangue que purifica você do seu pecado”.
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Fonte: trecho do livro "A Breve Vida de Jonathan Edwards", por George Marsden.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

PEQUENA CRONOLOGIA CONGREGACIONAL



A seguir alguma datas marcantes para o movimento Congregacional mundial.


1567- Registro do primeiro grupo de irmãos Separatistas Congregacionais se reunindo fora da Igreja Anglicana, no Salão Plumbers, em Londres. O grupo de cerca de 100 pessoas é descoberto e preso.
1581- Robert Browne primeiro teórico do Congregacionalismo publica seus livros dando os contornos iniciais do movimento.
1607- Sofrendo intensa perseguição um grupo de Congregacionais foge da Inglaterra para a Holanda, pais onde havia liberdade religiosa.
1616- Henry Jacob funda a primeira igreja Semi-separatista (Congregacionais não tão radicais quanto os Separatistas) na Inglaterra.
1620- Viagem dos Congregacionais Separatistas da Holanda rumo à América do Norte no Mayflower.
1621- É estabelecido o Dia de Ação de Graças pelos Congregacionais na América.
1636-Os Congregacionais americanos fundam o Harvard College para a instrução os pastores. Mais tarde esta escola veio a se transformar na Universidade de Harvard.
1648-Os Congregacionais americanos aprovam a Plataforma de Cambridge, documento formado em oposição ao Presbiterianismo da Confissão de Fé de Westiminster.
1658- Os Congregacionais ingleses aprovam e publicam a Declaração de Savoy de Fé e Ordem.
1663-É impressa a primeira Bíblia na América. Esta foi uma tradução feita pelo missionário Congregacional aos índios: John Elliot.
1700-O puritano Congregacional Samuel Sewall, chefe de justiça do Superior Tribunal de Massachussets, escreve o primeiro tratado antiescravagista da América.
1701-Foi fundado o Collegiate School para treinar pastores. Esta escola veio a se transformar na Universidade de Yale.
1708-Os Congregacionais de Connectcut formam a Plataforma de Saybrook onde o Congregacionalismo extremo é rejeitado e é assumido um Congregacionalismo mais centralizado, com associações ministeriais locais. A assembleia geral de toda colônia agora tinha poder nas igrejas locais.
1735-A Congregacional Phillis Wheatley foi a primeira negra a ter seus escritos publicados na América.
1807-Os Congregacionais organizaram o Seminário Teológico de Andover. Este é o primeiro seminário do protestante em América.
1812- É formada a União Congregacional da Escócia.
1817-O Pastor Congregacional Thomas Gallaudet abriu um asilo em Connecticut para a instrução de surdos e mudos. Em 1856 este estabelecimento foi nomeado a mais antiga universidade para surdos aberta em Washington, e a primeira escola para a comunidade surda na América do norte.
1829-É formada a União Congregacional da Irlanda.
1831-Formação da União Congregacional da Inglaterra e País de Gales.
1833-Os Congregacionais fundaram o Oberlim College, em Ohaio. Este foi o primeiro colégio dos Estados Unidos a atribuir a quatro mulheres a sua colação de grau.
1839-O Congregacional John Quincy Adams apelou perante o supremo Tribunal de justiça pela liberdade dos escravos do Amistad e conseguiu. O fato foi transformado em filme por Steve Spielberg em 1997.
1855-Chega ao Brasil Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah Kalley, primeiros missionários Congregacionais no Brasil.
1858-É fundada a Igreja Evangélica Fluminense, primeira igreja Congregacional no Brasil.
1861-Com os esforços de Robert Kalley é aprovada a lei que regulamentava o casamento de pessoas não Católicas Romanas. Esta lei foi regulamentada em 1863.
1868-É publicado o primeiro hinário evangélico no Brasil, era o “Salmos e Hinos” sob o patrocínio do casal Kalley.
1871-É formado o Conselho Nacional de Igrejas Congregacionais dos EUA.
1873-Com os esforços de Kalley e colaboradores é organizada a Igreja Evangélica Pernambucana, a primeira igreja evangélica do Nordeste do Brasil.
1876-É aprovada a primeira declaração de fé Congregacional no Brasil “Os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo” preparados por Robert Kalley.
1880-O Imperador D. Pedro II concede o direito de reconhecimento a primeira igreja evangélica brasileira: a Igreja Evangélica Fluminense.
1913-É fundada a primeira denominação Congregacional do Brasil com 13 igrejas Congregacionais que a partir daí passou por muitos nomes.
1931-Acontece a fusão do Conselho Nacional com a Convenção Geral das Igrejas Cristãs (outra denominação), formando assim o Conselho Geral das Igrejas Cristãs Congregacionais dos EUA.
1942-Fundação em Panambi/RS da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil (IECB), denominação oriunda de trabalhos missionários apoiados por igreja Congregacionais dos EUA e da Argentina.
1948-É formada a Conferencia Cristã Congregacional Conservadora (CCCC) por ministros que não concordavam com o liberalismo teológico da maioria das lideranças Congregacionais americanas.
1955- Formação da Associação Nacional de Igrejas Cristãs Congregacionais (NACCC) por um grupo de igrejas que se colocaram fora do Conselho Nacional.
1957-Fusão do Conselho Geral com a Igreja Reformada dos EUA, dando origem a United Church os Christ (UCC) (Igreja Unida de Cristo) que é hoje a maior denominação congregacional, porem liberal.
1967-Fundação em Campina Grande da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A INCOMPARAVEL EXCELÊNCIA E SANTIDADE DE DEUS

Por Jeremiah Burroughs (1599-1646), teólogo Congregacional inglês

Deixe-me colocar esta pergunta para você: o que é essa excelência de Deus com que sua alma se envolve? Falamos muito da excelência de Deus e todos dizemos que amamos a Deus, nos deleitamos nEle e O bendizemos, mas, agora, o que é em Deus que atrai seu coração para Ele e faz com que sua alma O ame, O bendiga e se deleite nEle? O quê? Será que é porque Deus terá misericórdia de você, vai perdoar seus pecados, salvar sua alma e trazê-lo para o céu? Estas são coisas pelas quais devemos amar e bendizer a Deus, mas deve haver mais. É pela própria pessoa de Deus por quem nosso coração deve ser atraído e deve ser a pessoa de Deus em Sua excelência, e que é essa excelência? Sua santidade!

O esplendor da infinita santidade de Deus alguma vez já brilhou sobre seu coração e o atraiu para Ele? E seu coração alguma vez já saltou ao ver o brilho da santidade de Deus? É por isso que você O ama? Se sim, você O conhece corretamente e seu coração tem corretamente sido atraído para Ele. Davi diz, Salmos 119:140, Quão pura é a tua palavra, por isso teu servo a ama. Você pode dizer isso? “O Senhor, tu és puro, tu és santo e por isso seu servo Te ama! Sua Palavra é santa, seu culto é santo, seus servos são santos e seus sacramentos são santos, e por isso amam tudo isso. Se a beleza da santidade de Deus é aquilo que atrai seu coração em amor a Deus, então proporcionalmente, será a beleza da santidade em todas as coisas santas que atrairá seu coração para amar e se deleitar nessas coisas. Assim, você olhará para Seus santos como gloriosos em santidade, para Seu culto e Sua Palavra e sacramentos como gloriosos em santidades, e então seu coração será atraído para elas. Em Salmos 33:21, você vê como os santos de Deus regozijavam-se no Senhor e tinham seus corações envolvidos por Ele por causa de Sua santidade…assim nossos corações devem se regozijar nEle, porque temos confiado em Seu santo nome. Confiar no santo nome de Deus é aquilo que faz nossos corações se regozijar nEle.

Disso o povo de Deus deveria se confortar grandemente nEle, uma vez que eles tem que lhe dar com um Deus santo. Embora haja muita impureza no espírito do homem com quem eles conversam, nada há em Deus exceto santidade, sim, muita beleza e glória de santidade. Irmãos, é algo deleitoso, sim, uma rara e bendita coisa se encontrar com amigos que tem um coração puro e limpo, que não tem mistura, que é santo em seus fins e objetivos, que tem um espírito livre de engano. Que alegria há quando um amigo que tem um coração limpo e puro, livre de engano, pode se encontrar com outro tal como ele e pode concordar em cada ponto! Mas que deleite é, então, encontrar-se com Deus que é infinito em pureza e santidade, em quem não há mistura nenhuma! Deus se deleita em nós porque nós temos só algumas gotas de Sua santidade. Oh, quanto deveríamos nos regozijar nEle, então, que é infinito em santidade?

Por isso, é observável que a comunicação da santidade de Deus é expressa em uma maneira diferente do que Ele comunica qualquer outro atributo para nós. Quando Deus comunica Seu conhecimento para nós, nós não somos ensinados para partilhar da divina natureza por esse meio, nem por meio de Seu poder, mas quando Ele comunica Sua santidade, nos é dito para sermos participantes da natureza divina. A santidade dos santos é a mesma santidade de Deus, uma irradiação da dEle, por assim dizer. Então as Escrituras dizem em Hb. 12:10 “Ele nos disciplina para nosso bem, de maneira que possamos ser participantes de Sua santidade” (NVI). Marque isso, “Sua santidade.” Por isso, a santidade coloca uma glória maravilhosa e excelência em nós, pois nos capacita a trabalhar como Deus e viver como Deus, pois o que é a santidade de Deus, senão aquilo pelo qual Ele trabalha para Si mesmo como Seu objetivo final, sendo Ele adequado a sua própria excelência?

Assim os santos servem a Deus, na proporção que lhes cabe, como o objetivo final deles, adequados para a infinita excelência do próprio Deus. Eles vivem como Deus vive e trabalham como Deus trabalha, e assim são aptos para ter comunhão com Deus. A vida da planta a faz inapta para ter comunhão com as bestas, as bestas para com os homens, os homens para com a vida de Deus. Agora, a santidade é a mais alta vida de todos os seres, sendo a vida de Deus. Por isso, ela faz alguém apto para ter comunhão com Deus, pois em comunhão deve haver a mesma vida. Por isso, nenhuma criatura pode ter comunhão com Deus que não tenha a mesma vida que Deus tem, mas se você partilha da santidade, você vive a vida que Deus vive e por isso está apto para ter comunhão com o próprio Deus.

Além disso, a santidade coloca não somente uma glória sobre sua pessoa, mas sobre tudo que você tem e faz. Ela santifica tudo. Assim como o ouro é santificado pelo altar, as ações naturais e caminhos da providência comum de Deus são santificados pelo povo de Deus. A prova de que as pessoas não conhecem a Deus é quando elas saem de Seu serviço tão despercebidamente. A visão de Deus te colocaria em outro quadro. Se você conhecesse Deus em Sua santidade, você olharia para a obra de Deus como um grande serviço. Você serviria a um Deus santo. Como diz em 1 Sam 6:20 “Quem pode ficar de pé diante desse santo Deus? Se você concebesse Deus como sendo um Deus santo, seu coração seria golpeado com temor e pavor. Você diria “Quem pode ficar de pé diante desse Deus santo?” Salmos 89:7 diz “Na assembleia dos santos Deus é temível, mais do que todos os que o rodeiam.” Deus é deve ser reverenciado por todos os homens, mas se você se aproxima dEle, então deve trabalhar para santificar seu coração. Como podemos vir diante esplendor e beleza da santidade de Deus com impureza intencional em nosso coração? Jó 13:11 é um texto notável “Não deveria Sua excelência nos fazer temer?” Você tem ouvido que a santidade de Deus é sua excelência, então eu te digo que tendo que se relacionar com Deus, não deveria você temer sua excelência? Está ciente de sua impureza? Você vem para entrar na presença de um Deus santo e não teme nem treme diante dEle? Oh que ousado e atrevido coração você tem que pode entrar na presença de um santo Deus com um coração profano e sem tremer. Seria de admirável uso todas as vezes que nos relacionamos com Deus ter claras apreensões de Sua santidade.

Isso deveria nos humilhar e nos fazer envergonhados pela lembrança da impiedade que está em nossos corações. A visão da santidade de Deus fez Isaias clamar “Ai de mim que vou perecendo, porque sou um homem de lábios impuros e habito no meio dum povo de impuros lábios, pois meus olhos tem visto o Rei, o Senhor dos exércitos.” Certamente nada há no mundo capaz de humilhar nosso coração tanto quanto a santidade de Deus. Seu coração é corretamente humilhado pelo pecado quando você o vê como sendo oposta a natureza pura de Deus. Eu não estou somente perturbado pelo meu pecado porque estou com medo de ir para o inferno juntamente com ele, mas porque tenho tido uma visão da infinita santidade de Deus e a pureza de Sua natureza.

Por último, que necessidade nós todos temos de Cristo Jesus. Se Deus é glorioso em santidade, nós deveríamos dizer “quem pode ficar de pé diante de tão santo Deus!” Não fosse a santidade do bendito Mediador que fica de pé entre o Pai e nós e apresenta sua infinita satisfação ao Pai por nossos pecados e nos veste com sua justiça! Ai, ai de nós! Se você pudesse imaginar que todas as excelências dos céus e terra fosse postas numa criatura exceto santidade, se tal criatura tivesse somente uma gota de impureza e impiedade nela, Deus abominaria eternamente tal criatura. Não fosse um mediador entre esta criatura e Deus, Deus derramaria eternamente sua ira sobre ela, pois Deus é tão glorioso em santidade que infinitamente abomina imundícia. Por isso, embora você possa se regozijar na santidade herdada, deixe seu coração estar particularmente sobre a perfeita santidade de Cristo e a ofereça para Deus. Embora você tenha muita impureza em si mesmo e em seus deveres, deixe que isso o conforte. Você não tem que lhe dar com Deus por si mesmo, mas através de Cristo, e nEle você tem liberdade para vir. Você pode olhar a face de Deus com ousadia. Esse é um grande mistério revelado no Evangelho, não obstante a infinidade da santidade de Deus, há uma maneira para nós, criaturas poluídas, podermos ver esse Deus com alegria. Se você não é conhecido de Deus pelo meio da reconciliação, você vai perecer eternamente. Por isso, estude o mistério do evangelho. Faça uso de Cristo para que a glória da santidade de Deus não seja para seu terror, mas para seu conforto.