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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

OS CONGREGACIONAIS: LIVRO CONTA A HISTÓRIA DOS CONGREGACIONAIS EM PORTUGUÊS




Foi lançado no mês de Outubro o livro:OS CONGREGACIONAIS. Esta é a primeira obra em português que conta em detalhes a história do movimento Congregacional, a tradição protestante a fundar primeira igreja evangélica no Brasil (Igreja Congregacional Fluminense), em 1858. O livro se divide em nove capítulos e dois apêndices onde a fundação e a história Congregacional desfila com riqueza de fontes (quase 400 notas de rodapé). O índice se divide assim:

*Cronologia Congregacional Básica, onde estão registradas as datas importantes do Congregacionalismo.
I- "Entre Vocês não pode ser assim". Onde se fundamenta exegeticamente o sistema de governo das igrejas locais no Novo Testamento.
 II- O Congregacionalismo Sempre Vivo. Onde se mostra como os Pais da Igreja falaram do assunto e se dá os motivos para o surgimento do sistema monolítico (papal) de governo para a igreja. Ainda se mostra como alguns filósofos importantes e os reformadores entendiam a igreja e seu governo.
III- O Casamento Desfeito que deu Origem a uma igreja. Onde se relata o surgimento da Igreja Anglicana.
IV- Só Cristo é o Cabeça da Igreja. Onde está historificado o resgate do sistema Congregacional de governo para as igrejas locais, seus primeiros líderes e mártires na Inglaterra do séc. XVI.
V- Henry Jacob e o Congregacionalismo não Separatista. Mostra o que era essa ala dos Congregacionais primitivos.
VI- Os "Pais Peregrinos"; indo à Terra Prometida. Onde se conta a história das perseguições do Congregacionais ingleses, suas fugas até a famosa viagem do Mayflower para o que seria os Estados Unidos da América.
VII- A Liberdade na Inglaterra. Aqui é contada a história da Guerra Civil inglesa, da Declaração de Fé de Savoy, e e de como os Congregacionais se desenvolveram nesse contexto de batalha política e religiosa.
VIII- Os Congregacionais nos Estados Unidos; Avivamentos, divisões e Fusões. Onde está relatada a história do desenvolvimento dos Congregacionais americanos, e a participação preponderante em eventos tais como o Grande Despertamento com Jonathan Edwards. 
IX- A Cruz na Terra de Santa Cruz. Aqui se mostra a história de Robert e Sarah Kalley, os pioneiros do Congregacionalismo no Brasil. 
Apêndice I- A Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. Onde se conta a história desta denominação.
Apêndice II- O Pioneirismo Congregacional. Aqui se mostra as obras feitas por Congregacionais que marcaram a história.
Além disso o livro é recheado de biografias de Congregacinais famosos como: Isaac Watts, D. L. Moody, C. H. Dood, Lewis  Sperry Chaffer, Martyn Lloyd-Jones, William Bradford, William Ames, P. T. Forsyth, etc. 

Abaixo algumas impressões de leitores da obra.

Considero esta obra um verdadeiro marco. Trata-se da primeira pesquisa acadêmica publicada em português que narra as raízes históricas da tradição Congregacional, desde sua origem, na Inglaterra, passando pela Holanda, Estados Unidos da América e Brasil. Temos bons livros que nos serviram nas últimas décadas com o objetivo de apresentar a nossa origem, mas sem a riqueza de dados históricos e sem citação das fontes. Cuidado devido que o autor tomou para deleite dos apaixonados pela História da Igreja! Finalmente, não podemos esquecer que a obra presta homenagem a uma das primeiras e mais ricas tradições, herdeira da Reforma Protestante. Portanto, como podemos verificar, a expressão “marco” faz jus à laboriosa contribuição de Joelson Gomes à família não só dos Congregacionais, mas dos Protestantes no Brasil.

Idauro Campos. Escritor, historiador, diretor do Seminário Teológico Congregacional de Niterói/ RJ, e pastor do quadro de ministros da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. 

O livro do pastor Joelson Gomes vem preencher uma lacuna na nossa literatura, e mui particularmente no contexto da igreja Congregacional. Se como entende o autor “um livro só deve ser escrito se for necessário”, então esse é um texto que justifica sua publicação. Mais do que isso. Justifica que todo líder e crentes interessados numa perspectiva bíblica e histórica do Congregacionalismo o examine com a devida atenção. O referido texto impressiona não apenas pela vasta pesquisa, envolvendo quase 400 citações, mas, sobretudo, pela riqueza dos conteúdos e poder de fundamentação. É importante ressaltar que o autor além do conhecimento e compromisso científico com a pesquisa, apresenta uma profunda convicção bíblico-teológica quanto ao governo Congregacional. Assim é que o livro oferece uma grande contribuição sobre o modelo bíblico de funcionamento da igreja, ao demonstrar que “a decisão final de um problema repousava na congregação” e que “a liderança era compartilhada e não imposta”. O leitor verá, ainda, que ao contrário da cultura atual, "os pastores locais exerciam força coesiva (de coesão, unidade) na comunidade e não coercitiva". E, finalmente, o autor mostra que a história do Congregacionalismo nos “orgulha” por seu legado de pioneirismo e de virtudes.

Aurivan Marinho. Palestrante renomado em todo Brasil, pastor do quadro de ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, da qual foi presidente por vários mandatos, e professor no Seminário Teológico desta mesma denominação.


Saudamos com muita alegria o livro: OS CONGREGACIONAIS. Sem dúvida alguma, temos em mãos, uma grande contribuição para os Congregacionais de nosso país. O livro é rico sobre vários aspectos e com certeza fomentará discussões interessantes sobre a nossa herança Congregacional. A obra possui linguagem clara, livre dos entraves linguísticos peculiares a muitas obras historiográficas produzidas em ambientes acadêmicos. O leitor perceberá a facilidade com a qual se verá envolvido e seduzido pelo enredo traçado pelo autor. É possível que o leitor discorde de algumas abordagens e interpretações do autor, como também é possível que não o siga em todas as conclusões a que chega a sua pesquisa. O que não é possível é negar a relevante contribuição do trabalho ora apresentado ao público Congregacional. Não tenho qualquer sombra de dúvida que essa pesquisa contribuirá para o enriquecimento do saber e o fortalecimento da identidade Congregacional em nosso país, mostrando-nos que todos nós temos razões nobres para nos alegrarmos e até, falo com toda reverência, nos orgulharmos de nossa herança e de nossos antepassados Congregacionais. Rogamos a Deus que a obra sirva para fortalecer nossas estruturas e consciências acerca de quem somos e de onde viemos, já que, como a história é o fio da identidade comunitária, uma comunidade sem consciência histórica é uma massa alienada que não sabe de onde veio nem para onde vai e, portanto, nunca compreenderá as razões pelas quais faz o que faz. 

Bruno César Araújo. Historiador, pastor e diretor do Departamento de Educação Teológica da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, e professor no Seminário Teológico desta mesma denominação.

No Livro OS CONGREGACIONAIS, Joelson Gomes desenvolve de forma cronológica e primorosa, uma apresentação abrangente do Congregacionalismo, tendo em seu arcabouço uma analise bíblico-histórica de todos os períodos e fatos feita com clareza de detalhes, dando sempre ênfase a personagens que contribuíram para desenvolvimento dessa forma de governo. Nós estamos diante de uma obra única e necessária, que nos fará conhecer melhor a história e o governo Congregacionalista em nossos dias, principalmente no Brasil.

Hugo Wagner Silveira Melo. Diretor do Departamento de Educação Religiosa e Publicações da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, pastor e professor do Seminário Teológico desta mesma denominação.

O autor, pastor e professor Joelson Gomes apresenta com veracidade e autenticidade fatos documentais da história Congregacional, seu pioneirismo, passando pela Inglaterra e convergindo para o Brasil. Temos na narrativa deste livro uma coletânea de referências aos Congregacionais, mostrando a construção de sua história ao longo do tempo. É uma contribuição que nos oferece um acervo Congregacional de dados históricos, biográficos e bíblicos. O livro será útil ao estudo desta história a vários seguimentos de ensino denominacional, e em seus seminários bíblicos.

Carloson Roberto. Faz parte do quadro de ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, é membro do Departamento de Educação Teológica, professor e diretor do Seminário Congregacional da ALIANÇA em João Pessoa/PB.

Indiscutivelmente Joelson Gomes deu-nos um grande presente, uma vez que esta obra preenche sabiamente uma lacuna existente em língua portuguesa. OS CONGREGACIONAIS é aquele tipo de livro semelhante a um bom filme, ao passo em que as cenas vão acontecendo, o nosso envolvimento, curiosidade e interesse vão aumentando, porém, de repente, percebemos que o filme está acabando e já começamos a lamentar dizendo: “o que é bom dura pouco.” OS CONGREGACIONAIS é um escrito lúcido, bem pensado, preciso e, acima de tudo, totalmente bíblico. Sendo assim, aperte os cintos e embarque nesta bela história conhecendo a tradição e o grande legado deixado pelos congregacionais.

Valker Neves. Formado em Teologia, Psicologia, Administração e Mestrando em Hermenêutica do NT. Pastor da Igreja Evangélica Congregacional Zona Sul em Campina Grande/PB, e segundo secretário da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.
Ler os CONGREGACIONAIS é um m grande deleite para mente, um texto riquíssimo em citações e de boa fundamentação bíblico – teológica que rapidamente seduz os estudantes mais dedicados. Joelson Gomes escreve não só com sua mente fértil, mas com seu coração apaixonado pelo conteúdo de seus escritos o que é típico de um reformado experimental. Esse livro não pode faltar em sua biblioteca, desde que suas lições perpassem em sua mente e seu coração.

Anderson Firmino. Graduado em Teologia, Pastor e Vice-diretor do Conselho de Pastores da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.


PEDIDOS: 
alianca.b@hotmail.com
81- 3049-2063/3063
Enviado para todo Brasil



segunda-feira, 8 de maio de 2017

A TRAVESSIA DO MAYFLOWER - Ep.3

Este documentário conta a história dos primeiros Congregacionais que fugindo da perseguição inglesa se refugiaram na Holanda,e depois resolveram viajar a bordo do Mayflower para a América recém-descoberta. Eram os "Pais Peregrinos" os colonizadores e fundadores dos EUA.


A TRAVESSIA DO MAYFLOWER - Ep.2

Este documentário conta a história dos primeiros Congregacionais que fugindo da perseguição inglesa se refugiaram na Holanda, e depois resolveram viajar a bordo do Mayflower para a América recém-descoberta. Eram os "Pais Peregrinos" os colonizadores e fundadores dos EUA.

A TRAVESSIA DO MAYFLOWER - Ep.1

Este documentário conta a história dos primeiros Congregacionais que fugindo da perseguição inglesa se refugiaram na Holanda, e depois resolveram viajar a bordo do Mayflower para a América recém-descoberta. Eram os "Pais Peregrinos" os colonizadores e fundadores dos EUA.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A HISTÓRIA DO SERMÃO "PECADORES NAS MÃOS DE UM DEUS IRADO"

Por George Marsden


 Ministério Fiel



No outono 1740, a visita de George Whitefield a Jonathan Edwards trouxe consigo uma onda de entusiasmo com respeito à fé. Um novo avivamento irrompeu. Muitos clérigos da Nova Inglaterra começaram a ser itinerantes e a cruzar os interiores da região, pregando o avivamento. Pastores estabelecidos também achavam que provavelmente despertariam mais fervor espiritual se eles mesmos se aventurassem fora de suas paróquias. Ninguém tinha visto um avivamento desta dimensão antes. Até em Boston, ministros favoráveis ao avivamento registraram interesses espirituais sem precedentes e uma aparente transformação da cidade. Este grande avivamento também cresceu dramaticamente em intensidade. Em resposta à pregação de avivamento, pessoas choravam frequentemente pelo estado de sua alma, desfaleciam e eram até tomadas de êxtases.
Edwards aproveitou o momento de uma maneira que tem sido lembrada por muito tempo. Seguindo as novas tendências do avivamento, ele alterou seus sermões para criar uma intensidade dramática e começou a pregar mais fora de sua paróquia. Essa combinação levou ao mais famoso – ou infame – incidente de sua vida: a pregação de “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, em Enfield (Connecticut).
O ambiente era uma vila próxima da fronteira de Massachusetts e Connecticut, em meados de julho de 1741. A cidade vizinha, Suffield, estivera experimentando um avivamento admirável por algum tempo. No domingo, três dias antes do seu sermão em Enfield, Edwards, como um ministro convidado, presidira um culto de Ceia do Senhor em que um número admirável de 97 pessoas foram recebidas como membros comungantes. O avivamento em Suffield havia produzido intensas erupções de êxtases. Na segunda-feira, depois do culto de comunhão, Edwards pregou numa “reunião privada” para uma multidão aglomerada em dois grandes cômodos de uma casa. Um visitante que chegara depois do sermão disse que a uma distância de 400 metros de podia se ouvir berros, gritos e lamentos, “como de mulheres em dores de parto”, quando as pessoas agonizavam pelo estado de sua alma. Alguns desmaiaram ou entraram em transe; outros foram tomados de extraordinário chacoalho no corpo. Edwards e outros oraram com muitos dos consternados e levaram alguns a “diferentes graus de paz e alegria, alguns a enlevo, tudo exaltando o Senhor Jesus Cristo”, e exortaram outros a se achegarem ao Redentor.
Dois dias depois, Edwards se uniu a um grupo de pastores visitantes que estava tentando propagar o avivamento até Enfield, e lhe pediram, tendo em mente, sem dúvida, o seu sucesso em Enfield, que pregasse um sermão. Edwards não era como Whitefield, que poderia cativar uma congregação por meio de eloquência dramática e espontânea. Sua voz era fraca, e pregava com base num manuscrito que ele havia quase memorizado. Usava poucos gestos e fazia pouco contato de olhos. Dizia-se que ele parecia estar fitando a corda do sino no fundo da igreja. Apesar disso, seus sermões eram uma combinação de lógica muito clara e intensidade espiritual que poderia, às vezes, encantar seus ouvintes. No caso de “Pecadores”, diferentemente de muitos dos seus sermões, ele acrescentou muitas ilustrações vívidas. A combinação se revelou poderosa.
“Pecadores” é citado habitualmente como um exemplo da severidade da pregação de fogo do inferno na América primitiva. Entretanto, vê-lo apenas como isso é perder de vista maior parte da verdade. Os pregadores desta época pregavam com regularidade sobre o inferno porque acreditavam que ele era uma realidade terrível sobre a qual as pessoas precisavam ser alertadas. Eles consideravam a doutrina da punição eterna como misteriosa e aterrorizante, mas o próprio Jesus se referira a ela, e a maioria dos cristãos, em todas as eras, o entendera no sentido real. Alertar os paroquianos quanto ao perigo real era uma coisa amável a ser feita, e, quanto mais um ministro pudesse ajudá-los a sentir verdadeiramente seu perigo, tanto mais eficaz era a advertência. Até pregadores de um tipo liberal usavam a doutrina das recompensas e punições eternas para ajudar a controlar as pessoas moralmente. Para os cristãos orientados por conversões, mais do que moralidade estava em jogo. Evangélicos como Edwards falavam de “avivamentos” porque as pessoas que eram cegadas pelos prazeres de seus pecados necessitavam ser vivificadas para ver seu imenso perigo e o remédio de Deus em Cristo.
No famoso sermão de avivamento de Edwards, ele admitiu o fogo do inferno como algo real e colocou a ênfase na solene tensão entre o julgamento de Deus e a misericórdia de Deus. Edwards apresentou Deus como o juiz perfeitamente justo que estava corretamente indignado em face da rebelião dos seres humanos contra seu amor. Ao mesmo tempo, Deus havia se restringido misericordiosamente, por um tempo, na execução de seus juízos, para dar aos pecadores uma oportunidade de receberem o amor redentor de Cristo e serem salvos da condenação horrível, justa e certa.
Edwards formulou as imagens impressionantes do sermão ao redor da ira de Deus iminente e retida por muito tempo. “As negras nuvens da ira de Deus [estão] pairando sobre a nossa cabeça, cheias de tempestade horrível e grandes trovões.” Ou “como grandes águas que são represadas no presente; elas aumentam cada vez mais e sobem cada vez mais”. Outra vez, “o arco da ira de Deus está armado, e a flecha está pronta na corda, e a justiça dispara a flecha em seu coração e desarma o arco”. Assim, Edwards acumulava imagem sobre imagem. Além disso, ele insistia em que não era a ira ou a justiça que estava errada, mas a pecaminosidade essencial de cada pessoas que tornava justo o julgamento. “A sua impiedade o torna tão pesado quanto o chumbo e o faz tender para baixo, com grande peso e pressão, rumo ao inferno”. “Homens não convertidos andam sobre o abismo do inferno, em uma cobertura podre”, e podem cair a qualquer momento. Ou na passagem mais famosa: “O Deus que o segura sobre o abismo do inferno, muito mais do que alguém segura uma aranha ou algum outro inseto abominável sobre um fogo... não é nada, senão a mão de Deus que o segura para não cair no fogo cada momento; e o fato de que você não foi para o inferno na noite passada tem de ser atribuído a nada mais”, ou “visto que você se levantou nesta manhã”, ou “visto que você está sentado aqui na casa de Deus”. “Ó pecador!”, ele apelou. “Considere o terrível perigo em que você está... você está pendurado em um fio muito tênue, e as chamas da ira divina ao redor dele, prontas a cada momento a queimá-lo, e queimá-lo totalmente; e nada você tem... em que segurar para salvar a si mesmo... nada que possa fazer para levar a Deus a poupá-lo por mais um momento.”
Edwards nunca terminou o sermão em Enfield. O tumulto se tornou muito grande quando a audiência foi tomada por gritos, lamentos e clamores: “O que farei para ser salvo? Oh! estou indo para o inferno! Oh! o que farei por Cristo?” Um dos ministros registrou que “os gritos agudos e clamores eram comoventes e admiráveis”. Várias “pessoas foram esperançosamente mudadas naquela noite. Oh! que prazer e alegria havia em seus semblantes!”
O sermão e seus efeitos foram ainda mais assustadores porque a cacofonia no recinto impediu Edwards de chegar à parte que abordava a misericórdia de Deus: “E agora vocês têm uma oportunidade extraordinária, um dia em que Cristo abriu amplamente a porta de misericórdia e está à porta chamando e clamando, com voz alta, a pobres pecadores”. Estes eram temas que Edwards pregava frequentemente em seus outros sermões. Neste dia específico, ele planejara lembrar os ouvintes de tão grande provisão, de como muitos outros tinham ouvido o chamado de Cristo com amor e alegria e de “quão terrível é ser deixado para trás num dia como esse!” Ironicamente, seus ouvintes o impediram de chegar às boas novas que lhes viera comunicar.
Edwards podia, literalmente, amedrontar uma audiência, mas também possuía um lado muito mais gentil. Temos um vislumbre dessa qualidade de cuidado pastoral em uma carta de conselho que Edwards escreveu naquele mesmo verão. Deborah Hathaway, uma jovem de 18 anos convertida no avivamento de Suffield, se voltara a Edwards em busca de conselho. Por isso, ele ofereceu uma lista de orientações para jovens cristãos. Em um tempo, esta carta ficou talvez mais amplamente conhecida do que “Pecadores”, visto que nos anos anteriores à Guerra Civil Americana ela foi impressa em grandes números como um folheto intitulado “Conselho a Jovens Convertidos”. Na carta, Edwards salientava a importância de humildade e de não ser desanimado. O tom de Edwards na carta oferece um impressionante contraste com “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado”. O Deus trino é não apenas o espantosamente justo juiz, mas também o Cristo amável, cujas mãos são gentis. “Em todo o seu proceder”, Edwards instou, “ande com Deus e siga a Cristo como uma criança pequena, frágil e dependente, agarrando a mão de Cristo, mantendo os olhos nas marcas das feridas no lado e nas mãos dele, de onde vem o sangue que purifica você do seu pecado”.
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Fonte: trecho do livro "A Breve Vida de Jonathan Edwards", por George Marsden.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

PEQUENA CRONOLOGIA CONGREGACIONAL



A seguir alguma datas marcantes para o movimento Congregacional mundial.


1567- Registro do primeiro grupo de irmãos Separatistas Congregacionais se reunindo fora da Igreja Anglicana, no Salão Plumbers, em Londres. O grupo de cerca de 100 pessoas é descoberto e preso.
1581- Robert Browne primeiro teórico do Congregacionalismo publica seus livros dando os contornos iniciais do movimento.
1607- Sofrendo intensa perseguição um grupo de Congregacionais foge da Inglaterra para a Holanda, pais onde havia liberdade religiosa.
1616- Henry Jacob funda a primeira igreja Semi-separatista (Congregacionais não tão radicais quanto os Separatistas) na Inglaterra.
1620- Viagem dos Congregacionais Separatistas da Holanda rumo à América do Norte no Mayflower.
1621- É estabelecido o Dia de Ação de Graças pelos Congregacionais na América.
1636-Os Congregacionais americanos fundam o Harvard College para a instrução os pastores. Mais tarde esta escola veio a se transformar na Universidade de Harvard.
1648-Os Congregacionais americanos aprovam a Plataforma de Cambridge, documento formado em oposição ao Presbiterianismo da Confissão de Fé de Westiminster.
1658- Os Congregacionais ingleses aprovam e publicam a Declaração de Savoy de Fé e Ordem.
1663-É impressa a primeira Bíblia na América. Esta foi uma tradução feita pelo missionário Congregacional aos índios: John Elliot.
1700-O puritano Congregacional Samuel Sewall, chefe de justiça do Superior Tribunal de Massachussets, escreve o primeiro tratado antiescravagista da América.
1701-Foi fundado o Collegiate School para treinar pastores. Esta escola veio a se transformar na Universidade de Yale.
1708-Os Congregacionais de Connectcut formam a Plataforma de Saybrook onde o Congregacionalismo extremo é rejeitado e é assumido um Congregacionalismo mais centralizado, com associações ministeriais locais. A assembleia geral de toda colônia agora tinha poder nas igrejas locais.
1735-A Congregacional Phillis Wheatley foi a primeira negra a ter seus escritos publicados na América.
1807-Os Congregacionais organizaram o Seminário Teológico de Andover. Este é o primeiro seminário do protestante em América.
1812- É formada a União Congregacional da Escócia.
1817-O Pastor Congregacional Thomas Gallaudet abriu um asilo em Connecticut para a instrução de surdos e mudos. Em 1856 este estabelecimento foi nomeado a mais antiga universidade para surdos aberta em Washington, e a primeira escola para a comunidade surda na América do norte.
1829-É formada a União Congregacional da Irlanda.
1831-Formação da União Congregacional da Inglaterra e País de Gales.
1833-Os Congregacionais fundaram o Oberlim College, em Ohaio. Este foi o primeiro colégio dos Estados Unidos a atribuir a quatro mulheres a sua colação de grau.
1839-O Congregacional John Quincy Adams apelou perante o supremo Tribunal de justiça pela liberdade dos escravos do Amistad e conseguiu. O fato foi transformado em filme por Steve Spielberg em 1997.
1855-Chega ao Brasil Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah Kalley, primeiros missionários Congregacionais no Brasil.
1858-É fundada a Igreja Evangélica Fluminense, primeira igreja Congregacional no Brasil.
1861-Com os esforços de Robert Kalley é aprovada a lei que regulamentava o casamento de pessoas não Católicas Romanas. Esta lei foi regulamentada em 1863.
1868-É publicado o primeiro hinário evangélico no Brasil, era o “Salmos e Hinos” sob o patrocínio do casal Kalley.
1871-É formado o Conselho Nacional de Igrejas Congregacionais dos EUA.
1873-Com os esforços de Kalley e colaboradores é organizada a Igreja Evangélica Pernambucana, a primeira igreja evangélica do Nordeste do Brasil.
1876-É aprovada a primeira declaração de fé Congregacional no Brasil “Os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo” preparados por Robert Kalley.
1880-O Imperador D. Pedro II concede o direito de reconhecimento a primeira igreja evangélica brasileira: a Igreja Evangélica Fluminense.
1913-É fundada a primeira denominação Congregacional do Brasil com 13 igrejas Congregacionais que a partir daí passou por muitos nomes.
1931-Acontece a fusão do Conselho Nacional com a Convenção Geral das Igrejas Cristãs (outra denominação), formando assim o Conselho Geral das Igrejas Cristãs Congregacionais dos EUA.
1942-Fundação em Panambi/RS da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil (IECB), denominação oriunda de trabalhos missionários apoiados por igreja Congregacionais dos EUA e da Argentina.
1948-É formada a Conferencia Cristã Congregacional Conservadora (CCCC) por ministros que não concordavam com o liberalismo teológico da maioria das lideranças Congregacionais americanas.
1955- Formação da Associação Nacional de Igrejas Cristãs Congregacionais (NACCC) por um grupo de igrejas que se colocaram fora do Conselho Nacional.
1957-Fusão do Conselho Geral com a Igreja Reformada dos EUA, dando origem a United Church os Christ (UCC) (Igreja Unida de Cristo) que é hoje a maior denominação congregacional, porem liberal.
1967-Fundação em Campina Grande da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.

* CONGREGACIONALISMO, O QUE É ISSO?

Congregacionalismo é a forma de governo de Igreja em a autoridade repousa sobre a independência e a autonomia de cada Igreja local. Este tem sido declarado como o sistema primitivo que representa a forma mais antiga de governo da Igreja. O Congregacionalismo moderno, no entanto, data a partir da Reforma Protestante.

Já em 1550, há indícios de homens e mulheres se reunindo para pregar a Palavra de Deus e administrar os sacramentos como separados da Igreja nacional da Inglaterra (Anglicana).

Quando ficou claro que a rainha Elizabeth I não tinha a intenção de uma reforma radical da Igreja inglesa, o número dessas comunidades separadas aumentou.

Robert Browne, o primeiro teórico do sistema, insistia em que estas «igrejas separadas", deviam ser independente do Estado e ter o direito de governarem-se a si próprias, estabelecendo assim as linhas essenciais do Congregacionalismo como o conhecemos hoje.

Desde o 1580 os Brownistas (como passaram a ser chamados estes dissidentes) aumentaram em número e os contornos do congregacionalismo tornaram-se mais claramente definidos; igrejas foram formadas em Norwich, Londres, Scrooby e Gainsborough.

O movimento foi impulsionado pela perseguição. Alguns destes separatistas migraram para a Holanda (1607) e depois (1620) para os Estados Unidos da América, onde o Congregacionalismo foi influente na formação tanto da religião quanto da política daquele país.

Na Inglaterra os Independentes (como também eram chamados) formaram a espinha dorsal do exército de Oliver Cromwell. Seus teólogos defenderam a sua posição congregacionalista na Assembléia de Westiminster e os seus princípios foram reafirmados na Declaração Savoy de Fé e Ordem, em 1658.

Mesmo sendo autônomas esta independência das igrejas Congregacionais não as coloca em completo isolamento. Elas reconheceram o vínculo de uma fé comum e de uma ordem e formaram Associações locais de apoio mútuo e estreitamento de relações.

A União Congregacional da Escócia foi formado em 1812; a da Inglaterra e País de Gales em 1832.

Estas uniões não tinham qualquer autoridade legislativa, mas serviram para aconselhar as igrejas e exprimir as suas idéias em comum.

Em 1972 a maior parte das Igrejas Congregacionais na Inglaterra e no País de Gales se uniu com a Igreja Presbiteriana da Inglaterra para formar a Igreja Reformada Unida. Muitas igrejas que não concordaram com esta união formam hoje a Federação Congregacional e a Comunhão de Igrejas Evangélicas Independentes.

Nos E.U.A. na maior parte das Igrejas Cristãs Congregacionais, em 1957 ingressou com a Igreja Evangélica Reformada em uma união para formar a Igreja Unida de Cristo. As igrejas que não concordaram com esta união formaram outras associações até hoje existentes, com destaque para a Associação Nacional de Igrejas Cristãs Congregacionais e para a Conferência Cristã Conservadora Congregacional.

Adpt. Joelson Gomes

The Concise Oxford Dictionary of the Christian Church 2000, originalmente publicado por Oxford University Press, 2000.

* OS PRIMEIROS CONGREGACIONALISTAS

A maneira Congregacional de igreja na Inglaterra provavelmente tenha seu nascimento em 1567,[1] num pequeno grupo de cerca de cem irmãos que insatisfeitos com tudo o que estava acontecendo dentro da igreja inglesa, começou a se reunir para adorar secretamente no “Salão Plumbers”, Londres. Eles eram chamados de “a Igreja de Privye”,[2] (ou Igreja Privada) transformando-se esta na primeira das muitas congregações separatistas de protesto na Inglaterra. O ajuntamento foi considerado ilegal pelas autoridades, e em 19 de Junho de 1567, e segundo o proeminente historiador Congregacional Williston Walker, os seus membros foram presos, açoitados em público ou mortos.[3] Este dia é considerado por muitos historiadores como o dia da origem moderna da maneira Congregacional de ser igreja.[4] A congregação do Salão Plumbers foi assim dispersa, mas foi logo reorganizada, e agora com mais clareza de sua finalidade. Os seus membros fizeram um pacto entre si para adoração a Deus de acordo com sua compreensão puritana. Mas, mais uma vez foram descobertos, diversos membros foram novamente presos, e outros junto com seu pastor Richard Fitz foram mortos. Mas, a chama não se apagou e a história da Igreja Congregacional é longa, rica, linda e inspiradora.
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NOTAS

[1] CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos (São Paulo: Vida Nova, 2006) p. 275.

[2] Conforme “The Reformation in England” em <http://www.ucc.org/about-us/short-course/the-reformation-in-england.html> Acesso em 08/07/07.

[3] História da Igreja Cristã, 2a ed. (São Paulo: JUERP/ ASTE, 1980), p. 547. Conforme também <http://www.usgennet.org/usa/topic/colonial/religion/history.html> Acesso 08/12/07.

[4] Conforme <http://chi.gospelcom.net/DAILYF/2002/06/daily-06-19-2002.shtml> Acesso em 08/12/07.

ACESSE TAMBÉM